O desafio
Antes de 2018, o Projeto Missionário Passa à Macedônia tinha desafios importantes de organização, comunicação e mobilização. A divulgação era limitada, as informações não chegavam de forma clara às igrejas e aos participantes e, sem processos estruturados, o projeto tinha dificuldade para ganhar escala.
Além disso, a alimentação dos participantes gerava um impacto financeiro significativo, tornando o orçamento um fator limitante para a expansão do projeto. Para completar, as distâncias geográficas entre as igrejas metodistas do Espírito Santo e as cidades que sediavam o evento dificultavam a mobilização e o deslocamento das pessoas.
Meu histórico no projeto
Meu envolvimento começou antes de eu entrar oficialmente na equipe de organização. Em 2016, na edição de Irupi/ES (Região do Caparaó), eu fotografei e gravei vídeos do evento. Naquele ano, o projeto reuniu cerca de 60 participantes, um número parecido com o das edições iniciais.
Em 2017, na edição de Serra Sede/ES (Região Metropolitana de Vitória), eu criei o cartaz oficial e desenvolvi o primeiro site de inscrições. Esse foi um passo importante para tirar um peso operacional da equipe e começar a organizar melhor o fluxo de informações.
A partir de 2018, eu passei a integrar oficialmente a equipe de organização. A partir daí, eu montei e coordenei a equipe de comunicação, estruturando uma atuação contínua e estratégica para fortalecer o projeto e viabilizar crescimento.
Equipe e papéis
Muita coisa do que foi construído aconteceu em parceria, com cada pessoa assumindo um pedaço essencial para o projeto funcionar.
Eu criei e conduzi várias das estratégias e campanhas em parceria com a Rebeca Ramos. Além disso, a Rebeca foi responsável pela redação dos textos das edições de 2018 e 2019.
A Letícia Santos ficou responsável por organizar as informações das inscrições recebidas e foi a fotógrafa principal dos eventos. A Nádia Segatto ajudou no operacional geral, assumindo demandas e tarefas que faziam as coisas fluírem da melhor forma possível, e também ficou responsável por fotos e vídeos.
A partir das edições de 2022, ficamos somente eu e a Letícia. Ela manteve as responsabilidades relacionadas às inscrições e à fotografia.
Minha atuação na comunicação
Dentro da equipe de comunicação, eu atuava na coordenação e também era responsável pela definição dos temas dos eventos. Isso foi implementado em 2018 e virou um diferencial importante em relação às edições anteriores, porque trouxe unidade, direção e consistência para tudo o que era comunicado.
No processo, eu criava o texto base do tema e desenvolvia a identidade visual do evento. A partir dessa identidade, eu produzia todas as peças derivadas, como cartazes e panfletos para as igrejas, cartazes e panfletos para o local do evento, estampas e outros materiais. Além disso, ano após ano, eu fazia melhorias e atualizações no site para ajustá-lo à identidade visual vigente e às necessidades de cada edição.
Estratégia de comunicação e mobilização
A partir de 2018, eu implementei uma estratégia integrada de comunicação e mobilização para enfrentar, ao mesmo tempo, três desafios: distância geográfica, limitações orçamentárias (principalmente alimentação) e pouco engajamento contínuo antes e durante o projeto.
Essa estratégia funcionou porque deixou de tratar comunicação como divulgação de última hora e passou a trabalhar com clareza, antecedência e consistência. A mobilização também passou a respeitar a estrutura da Igreja Metodista, acionando região, distritos, igrejas locais e, especialmente, os grupos societários e ministérios. Dentro dos grupos societários, entravam os movimentos de mulheres, homens, jovens e juvenis, cada um com uma forma própria de engajar e contribuir.
O resultado foi transformar um evento pontual em um movimento coletivo, com senso de pertencimento e corresponsabilidade, mesmo quando a logística era mais complexa por causa da localização escolhida para a edição.
Soluções desenvolvidas
Essa estratégia saiu do papel por meio de soluções práticas e integradas, sempre conectadas com o que o projeto precisava na vida real.
As campanhas estruturadas de arrecadação de alimentos envolveram igrejas, grupos, participantes e empresas, reduzindo significativamente os custos com alimentação e liberando orçamento para o projeto crescer. Em 2023, na edição de Aracruz/ES, o projeto também contou com doações financeiras oficiais de empresas locais, ampliando o suporte ao evento.
A comunicação ganhou força com identidades visuais exclusivas por edição, sempre alinhadas ao tema anual, e com materiais impressos enviados às igrejas. Entre esses materiais estavam cartas aos Superintendentes Distritais (SDs), cartas aos pastores e pastoras com orientações claras e pedidos objetivos de mobilização local, e cartas específicas para mulheres, homens e jovens, com desafios de arrecadação de alimentos, roupas e materiais de limpeza. Esse conjunto era apoiado por cartazes e panfletos para divulgação nas comunidades.
Também implementamos o Relógio de Oração, com mais de 50 igrejas metodistas assumindo turnos de oração de até 12 horas nos dias que antecediam e durante o evento. A iniciativa foi idealizada pela Rebeca e, ao longo dos anos, foi sendo ajustada para gerar mais engajamento e participação ativa.
No dia a dia, a mobilização era sustentada por conteúdos constantes nas redes sociais, com motivação e informações em tempo real, e por comunicação contínua via WhatsApp, garantindo alinhamento, respostas rápidas e engajamento. Todo o trabalho foi voluntário, com foco em impacto social, organização e propósito.
Edições em que atuei na comunicação
O Passa à Macedônia tem quase 30 anos de história. Abaixo estão as edições em que eu participei de alguma forma na comunicação, primeiro de maneira mais pontual (2016 e 2017) e, depois, de forma ativa e estratégica (2018 a 2023).
2016: Irupi/ES (Região do Caparaó)
2017: Serra Sede/ES (Região Metropolitana de Vitória)
2018: Guarapari/ES
2019: Divino de São Lourenço/ES (Região do Caparaó)
2020 e 2021: não realizado (pandemia da Covid-19)
2022: São Mateus/ES (Norte do ES), ainda em contexto pandêmico
2023: Aracruz/ES (Norte do ES)
O projeto passa por cidades com contextos geográficos bem diferentes, e isso impactava diretamente a logística. Quando a edição acontecia em uma região do estado, as igrejas de regiões mais distantes precisavam atravessar o Espírito Santo para participar, o que aumentava tempo de deslocamento, custos e esforço de mobilização. Por isso, edições em regiões centrais tendiam a ser mais tranquilas na logística, enquanto edições no Norte ou Caparaó exigiam uma mobilização ainda mais intencional.
Alimentação
Quando eu comecei o planejamento estratégico da edição de 2018, pedi para a coordenação geral os dados de custos do projeto e identifiquei o maior gargalo: alimentação. Em 2017, o custo total com alimentação impactou significativamente o orçamento.
Com esse diagnóstico em mãos, eu estruturamos uma campanha de arrecadação enviada às igrejas locais, com lista de alimentos não perecíveis, materiais de limpeza e higiene. A partir de 2018, as doações foram tão consistentes que, além de suprirem a alimentação, ainda permitiram montar cestas básicas naquele ano.
Na prática, as doações cobriram a parte de não perecíveis nas edições de 2018, 2019 e 2023, reduzindo drasticamente a necessidade de compra desses itens. A exceção foi 2022, porque, no contexto pandêmico, a mobilização e a logística de entrega das doações ficaram mais difíceis e o volume arrecadado não foi suficiente.
Também vale o contexto operacional para dimensionar esse resultado. De 2018 a 2023, as edições aconteceram de domingo a domingo, começando e terminando com almoço, e com uma rotina de 5 refeições servidas por dia: café da manhã, almoço, lanche para as crianças da EBF, café da tarde para os participantes e jantar.
Resultados alcançados
Quando os números entram, a mudança fica evidente. Em 2016 e 2017, a média era de 60 participantes. Em 2018, foram 153 inscritos; em 2019, 185 inscritos; em 2022, 155 inscritos; e, em 2023, 260 inscritos. A partir de 2018, nenhuma edição teve menos de 150 participantes, mesmo com desafios logísticos maiores e contexto pós-pandêmico.
Participantes:
Aumento da média
- 2016–2017 – aproximadamente 60 inscritos;
- 2018 – 153 inscritos;
- 2019 – 185 inscritos;
- 2022 – 155 inscritos;
- 2023 – 260 inscritos.
Consistência
A de 2018 até 2023, nenhuma edição com menos de 150 participantes.
Arrecadação de alimentos
Redução significativa de custos:
- 2018 – mais de 300 kg arrecadados > 38 cestas básicas distribuídas;
- 2019 – mais de 500 kg arrecadados > mais de 60 cestas básicas distribuídas;
- 2023 – aproximadamente 1 tonelada arrecadada.
Captação de Patrocínios
Em 2023, doações financeiras oficiais de empresas locais em Aracruz/ES.
O papel da LP Design
Este case mostra que meu trabalho vai além do design visual. Envolve estratégia, organização, mobilização e criação de soluções práticas para desafios complexos, aplicando comunicação integrada para gerar resultados reais.
É exatamente esse tipo de abordagem que a LP Design oferece: design estratégico aplicado a contextos reais, com foco em impacto, organização e crescimento sustentável.
